Citação

– Fala comigo. …

13 Nov

– Fala comigo.
– …
– Por favor.
– …
– Fala comigo. Tens de falar comigo. Tens de me dar aquilo que és. Tens de ser para mim aquilo que és para ti.
– …
– Tens de me contar o que és.

Não escondas,
esconder é o princípio do fim,
não feches, não cerres,
abre, abre tudo, abre o que é nosso, o que, por ser teu, é de nós,
não queiras deixar por dizer.

Todos os divórcios começam em palavras por dizer.

——————————–
“In Sexus Veritas”, de Pedro Chagas Freitas

Mas quantas e quantas vezes é mais fácil calar que expressar o que nos vai na alma!

E os silêncios tornam-se ensurdecedores…

Ao ler isto não pude deixar de pensar que é provavelmente um defeito meu. Contrariamente à crença popular de que o sexo feminino se expressa muito bem – até bem demais – o certo é que tenho muitas vezes dificuldades nesse campo. Pelo menos quando toca a expressar emoções.

Dêm-me algo racional para explicar, e podem ouvir-me muito tempo. Ou mesmo que seja na esfera dos sentimentos, se for de outrem torna-se relativamente fácil analisar, dissecar, discutir sobre… Assim que vira para o meu “eu emocional”, a língua ata-se.

Especialmente se for para expressar algo que está mal, ou numa discussão mais acesa. Não é estranho este fenómeno? Porque é aí que a eloquência me abandona, e quantas vezes fico calada, com a cabeça a transbordar de pensamentos que bloqueiam quando precisam de ser verbalizados. Quantas vezes não tive que recorrer à escrita para, ordenadamente, conseguir expressar-me, explicar o meu ponto de vista, fazer-me entender. É frustrante, e algo que preciso de mudar. Que, mais que isso, quero mudar.

E vai mais um item para a lista do “to do”!

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6 Respostas to “– Fala comigo. …”

  1. filreis22 14 de Novembro de 2013 às 4:25 am #

    “Com os males dos outros posso eu bem!”

    Ditado que encaixa na perfeicao. As emocoes sao mais dificil de expressar. Desde que a escrita passou a ser comum, e escritor uma profissao, os mais famosos escritores da história sempre foram os que puderam passar o que sentem, para o papel. Exprimir sentimentos, é das coisas mais dificeis com que me deparei na vida. Nao tem a ver com o sexo feminino ou masculino, apesar dos estereotipos dizerem o contrário, mas sim com a importancia dada ao que se sente, ou mesmo á intensidade.

    É sempre fácil, exprimir algo que seja mundano. Se for algo que expressa um sentimento directamente do centro da nossa personalidade, do centro da nossa existencia, tudo se complica, e recorrer á escrita é sempre mais fácil. Nao há confronto directo com o/a visado/a, nao há riscos de interrupcao, é como fechar os olhos e saltar para um local confortável e gritar o que nos vai na alma. É como estar no carro, e dizer a mim próprio tudo o que nunca tive coragem de dizer a ninguém. É como estar aqui neste momento a responder a um blog, do conforto do sofá. Sozinho, ás escuras, sem ter de enfrentar ninguém, é fácil.

    Dizer a alguém o que se sente, é um desafio no verdadeiro sentido da palavra.
    Seja bom ou mau, no espectro total dos sentimentos, desde o “Odeio-te” ao “Amo-te” , seja amor ou raiva, deprezo, preocupacao, a partir do momento que envolve outra pessoa, é um desafio. O cérebro comeca a abrandar, pelo peso do processamento do raciocínio, os cenários possíveis multiplicam-se, horas de preparacao, ou explosao instantanea de palavras, é igual, o resultado é o mesmo num tornado de ideias, palavras, frases, que explode sem nexo, milimetros antes das cordas vocais vibrarem. As reaccoes possíveis da outra pessoa, expressoes faciais, respostas possíveis, cenários impossíveis, resultados aleatórios… De repente, tudo comeca a ser contabilizado, e o cérebro abranda ainda mais. Efeito bola de neve. Cérebro mais lento, a processar 10 vezes mais informacao, apodera-se um nervoso miudinho, mais para processar, aumenta o nervoso. Tenta-se reagir á informacao, mas o cérebro já está em “overclock”, nervoso aumenta.

    Nisto, existe alguém á espera ansiosamente, ou nao, pela informacao que deveria ter sido disparada, há 30 segundos, há 1 minuto, há 2horas, há 1 ano…

    Só piora. Todo o plano se existisse, é neste momento uma nuvem de fumo. Todo o sentimento que explodiu, é apenas isso mesmo, caos…

    Mais nervoso. Já comeca a transformar-se em panico. Seja quem for que esteja do outro lado, impaciente, só vai servir para garantir que o panico se instale.

    Neste momento, quem me dera ter escrito…

    Agora só adianta dizer, ou passar á frente e esquecer. Apesar da comunicacao ser o pilar de qualquer relacao entre 2 pessoas, ter de lidar com tudo isto sempre que algo tem de ser dito, é um desafio. Mais fácil calar e pensar, amanha é diferente. Amanha, já passou…
    Seja por preocupacao que o que vai ser dito, vá magoar alguém, muito ou pouco, seja por auto proteccao, o que foi dito, nao pode se retirado, o que aumenta exponencialmente o risco de dor, actual, ou futura.

    O que me leva a concluir, que tudo depende de um só factor. Confianca. Seja bom ou mau, seja péssimo ou a melhor coisa do mundo, expressar sentimentos é a exposicao total do “eu” mais intímo, mais vulnerável. Só faz sentido, só sabe bem, só é possível se houver confianca. Confianca que a outra pessoa vai entender, nao vai usar, e nao vai magoar. Colocar o meu bem estar fisico nas maos de outros, é algo que muitos de nós fazem diáriamente, curar males fisicos sao na maioria possível, álcool e uns pensos e tudo corre bem. Exposicao emocional, cria as maiores feridas, as que podem demorar anos a serem saradas, ou mesmo nunca. Mazelas, que afectam o bem estar fisico, daí a dificuldade extrema… Confiar que vou entregar algo a alguém, e respirar fundo, esperando que nao seja destruído.

    Daí o escrever ser mais fácil, pois a proteccao de um pedaco de papel, um écran, um teclado, pode ser a diferenca entre a entrega total da informacao, levada de uma forma leviana, ou a total exposicao do mais intímo que pode haver.

    Excrever é mais fácil, e a prova disso é este texto. Que mesmo aqui, só saíu com ajudas de algumas caipirinhas num bar de praia, mas ao vivo era algo que nunca me imaginei dizer. Aqui, é fácil, apesar de nao anónimo. Seja pela proteccao virtual, ou simplesmente teórica do cobertor, sinto-me protegido e posso dizer aquilo que quiser, e que nunca pensei dizer, tal como nunca me imaginei a atirar ideias soltas sobre este tema na minha vida.

    Ao vivo, já devia estar na iminencia de outro ataque cardíaco, ou já iria na décima Pedras, e pronto a executar um desaparecimento digno dos melhores ilusionistas do mundo… 😀

    • E aos 30 15 de Novembro de 2013 às 3:20 pm #

      Muito melhor expresso do que eu o fiz 🙂
      Sim, ao vivo e a cores, a ter que contar com a reacção da outra pessoa, tudo fica mais difícil. Apesar de não ser “apenas” isso que quis dizer. O próprio ordenar de sentimentos e emoções para ser verbalizado pode ser demasiado caótico em si para passar ao passo seguinte que é a confiança depositada no outro para agir de boa fé com a informação que recebe

      • filreis22 16 de Novembro de 2013 às 4:59 pm #

        “Alcohol induced literacy…!” haahaha

        Eu mencionei isso na mina conclusao… 😉

      • E aos 30 16 de Novembro de 2013 às 10:57 pm #

        Para a próxima tento ébria 😛

      • filreis22 16 de Novembro de 2013 às 10:58 pm #

        Posso ver?? 😛 😛

  2. E aos 30 17 de Novembro de 2013 às 2:46 pm #

    Vou pensar nisso :p

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